• Bufo rana

    Bufo rana

    Car­ac­terís­ti­cas:

    Ape­sar do ceti­cis­mo mod­er­no em relação às pro­priedades venenosas do sapo, Shakspere, que parece ter sabido tudo, esta­va abso­lu­ta­mente cor­re­to ao falar do sapo como ten­do “veneno sufo­cante”. O veneno é exc­re­ta­do por glân­du­las na pele do dor­so. L. Guthrie (H. W., XXVIII. 484) con­ta a história de um cam­ponês ital­iano, aparente­mente a mor­rer de hidropisia, cuja mul­her, cansa­da da inter­mináv­el duração da sua doença, pen­sou em apres­sar o seu fim pon­do um sapo no seu vinho.O resul­ta­do foi que o homem ficou com­ple­ta­mente cura­do. A “Quin­tes­sên­cia de sapos” fig­u­ra­va larga­mente na ter­apia do Doron Medicon de Salmon (1583), onde é elo­gia­da como um “Speci­fick in the Drop­sy”. Exper­iên­cias e enve­ne­na­men­tos homœopáti­cos mostraram que esta rep­utação é basea­da em fac­tos. Mas os prin­ci­pais louros de Bufo foram con­quis­ta­dos no trata­men­to da epilep­sia. Bojanus curou muitos casos; e nen­hum medica­men­to me serviu mel­hor no trata­men­to des­ta doença.Poucas pes­soas que ten­ham assis­ti­do a um ataque epiléti­co caraterís­ti­co podem ter deix­a­do de notar o aspeto curiosa­mente semel­hante a um sapo assum­i­do pelo sujeito. O ataque epiléti­co e o esta­do de mal epiléti­co dão a cor­re­spondên­cia mais clara com o cam­po de ação do Bufo. Mais uma vez, a epilep­sia é fre­quente­mente encon­tra­da entre os efeitos do auto-abu­so nos jovens, e o Bufo provo­ca a tendên­cia para a práti­ca, e até causa impotên­cia. As mul­heres índias do Brasil estão cientes des­ta últi­ma pro­priedade, e admin­is­tram o veneno aos seus mari­dos na comi­da ou na bebi­da quan­do dese­jam lib­er­tar-se das suas atenções con­ju­gais. O Bufo provo­ca baixos graus de ação infla­matória, exalações e descar­gas féti­das. (Guernsey recomenda‑o em casos de panari­tium, em que a dor corre em faixas, até ao braço. Tam­bém quan­do os dedos foram feri­dos e pare­cem pre­tos, com dores que sobem pelo braço. E. E. Case rela­tou uma cura com Bufo cinereus de “epis­taxis diária durante várias sem­anas com rubor facial, calor e dor na tes­ta, provo­ca­dos pela hemor­ra­gia; havia tam­bém tran­spi­ração fácil em ger­al, suscetív­el de ser ofen­si­va, espe­cial­mente nos pés”. Segun­do Lippe, o Bufo é espe­cial­mente indi­ca­do na epilep­sia quan­do os ataques ocor­rem durante o sono noturno. O paciente pode ou não ser acor­da­do pelo ataque; caso con­trário, quan­do acor­da, tem uma dor de cabeça vio­len­ta. Os sin­tomas epilép­ti­cos são mais graves num quar­to quente; mas tam­bém há uma grande sen­si­bil­i­dade ao ar frio e ao ven­to. Peri­od­i­ci­dade mar­ca­da: febres quar­tanárias. Hemor­ra­gias.

    Mente:

    Memória fra­ca; idi­o­tice. — Dese­jo de solidão. — Incli­nação para se zan­gar; para morder.

    Cabeça:

    Dor­mên­cia do cére­bro antes do ataque. — Pressão como se duas mãos de fer­ro segurassem as têm­po­ras. — Dor de cabeça: após o pequeno-almoço; mel­ho­ra uni­lat­er­al (dire­i­ta) por hemor­ra­gia nasal; con­ges­ti­va; agra­va. por luz e ruí­do; com pés frios e pal­pi­tação. — A cabeça é ini­cial­mente pux­a­da para um lado (dire­ito ou esquer­do), depois para trás antes de um ataque. — Sen­sação como se o vapor quente subisse para o topo da cabeça.

    Olhos:

    Olho dire­ito aber­to, esquer­do quase fecha­do; os glo­bos ocu­lares rolaram para cima e para a esquer­da antes do ataque. — Pálpe­bra esquer­da par­al­isa­da.

    Ouvi­dos:

    O menor ruí­do é desagradáv­el; a músi­ca é intol­eráv­el. — Otor­réia puru­len­ta; ulcer­ação e san­gra­men­to dos ouvi­dos exter­nos.

    Face:

    Ros­to incha­do e dis­tor­ci­do; boca e olhos con­vul­sos. — Afronta­men­tos. — Ros­to ban­hado em suor (durante os espas­mos).

    Boca:

    Par­al­isia da lín­gua; movi­men­to de lam­ber antes dos ataques. — Gague­jar e gague­jar; zan­ga­do quan­do não é com­preen­di­do. — Sali­va com sangue; hál­i­to féti­do. — Dese­jo de bebidas doces.

    Órgãos sex­u­ais mas­culi­nos:

    Emis­sões invol­un­tárias; ejac­u­lação demasi­a­do ráp­i­da; impotên­cia. — Mas­tur­bação.

    Órgãos sex­u­ais fem­i­ni­nos:

    Men­stru­ação demasi­a­do cedo e demasi­a­do abun­dante; ataques epilép­ti­cos com a men­stru­ação. — Dor de cabeça com ou antes da men­stru­ação. — Can­cro da mama. — Inchaço em for­ma de cordão da vir­il­ha ao joel­ho (per­na de leite).

    Órgãos res­pi­ratórios e coração:

    Ardor como fogo nos pul­mões. — O coração sente-se como se fos­se demasi­a­do grande; como se estivesse afo­ga­do numa bacia de água. — Pal­pi­tação com dor de cabeça; durante a men­stru­ação. — Con­strição à vol­ta do coração.

    Pescoço e costas:

    Ataques ini­ci­a­dos por um puxão na nuca — Inchaço do osso do taman­ho de um pun­ho (cárie das vér­te­bras dor­sais).

    Mem­bros:

    Dores con­tusas; tremores; cãi­bras; inchaços artríti­cos. — Inchaço das mãos e dos braços; dores ardentes.

    Mem­bros supe­ri­ores:

    Grande dese­jo de exerci­tar os braços. — Ardor lanci­nante nos ossos. — Os braços ficam rígi­dos antes de um ataque. — Dor­mên­cia do braço esquer­do. — Os braços adorme­cem facil­mente. — Bol­ha na mão que se repete anual­mente. — Após uma ligeira con­tusão, infla­mação dos vasos lin­fáti­cos. — Panarí­cio, inchaço negro-azu­la­do à vol­ta da unha; dor em estrias no braço. — Con­tração dos dedos da mão dire­i­ta, depois da esquer­da, segui­da de um movi­men­to de lam­ber a lín­gua com os pole­gares pux­a­dos para a pélvis; antes de um ataque (epilep­sia).

    Mem­bros infe­ri­ores:

    Ciáti­ca. — Os mem­bros infe­ri­ores estão mais em movi­men­to do que os supe­ri­ores. — A cãi­bra acorda‑o do sono. — Os mem­bros infe­ri­ores ficam fra­cos (amol­e­c­i­men­to do cére­bro). — Os mem­bros infe­ri­ores ficam rec­tos e rígi­dos antes do ataque. — Inchaço dos joel­hos com dores pul­sáteis e dis­ten­si­vas.

    Gen­er­al­i­dades:

    Ataques epilép­ti­cos, ini­ci­a­dos por um gri­to; ros­to lívi­do segui­do de sono; ocor­rem à meia-noite; na altura da men­stru­ação; na mudança de lua; resul­ta­do de exci­tação sex­u­al. — Inchaço de todo o cor­po que se tor­na amare­lo pro­fun­do. — Lividez.

    Pele:

    Grandes bol­has amare­las, que se abrem, deixan­do uma super­fí­cie crua que exala um líqui­do icoroso. — Bol­has ardentes. — Suor abun­dante; oleoso. — Car­bún­cu­los. — Frieiras.

    Sono:

    Sonolên­cia; após as refeições. — Todos os sin­tomas agra­va-se ao acor­dar.


tradutor
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