• Homarus

    Homarus – Lava­gante amer­i­cano

     

    Clin­i­ca:

    Costas, dores nas costas. Ossos, dores nos ossos. Coriza. Diafrag­ma, dor em. Dores de cabeça. Olho, afecções do olho. Flat­ulên­cia. Dor de gar­gan­ta gran­u­losa. Dor de cabeça. Fíga­do, dores em. Ede­ma. Par­al­isia, ner­vosa. Pruri­do. Sono, des­or­de­na­do. Baço, dores em. Gar­gan­ta, dor de gar­gan­ta. Pul­so, dor. Causas. — Leite, efeitos do leite.

    Car­ac­terís­ti­cas:

    Os efeitos da lagos­ta nal­gu­mas pes­soas e em deter­mi­nadas condições são bem con­heci­dos. A fim de estu­dar min­u­ciosa­mente o efeito, A. M. Cush­ing adop­tou a feliz ideia de provar o veneno especí­fi­co da lagos­ta, e o resul­ta­do foi uma adição muito valiosa ao nos­so arse­nal (H. R., III. 98). O Homarus é um agente de grande ativi­dade, como mostra a lista de sin­tomas anexa. Sabe-se que há pes­soas que mor­rem depois de com­erem lagos­ta e depois beberem leite. Cush­ing colo­cou um pouco do veneno no leite quente e em dez min­u­tos era uma mas­sa dura. O Papoid dissolveu‑o rap­i­da­mente, mas a pepsi­na demor­ou muito mais tem­po. Cush­ing desco­briu que o leite agravou os seus sin­tomas durante a pro­va. A “agra­va do leite” deve ser uma forte indi­cação para o seu uso.

    Os sin­tomas mais proem­i­nentes da pro­va foram: Dor de gar­gan­ta, que era bas­tante grave, sen­tia-se seca, pare­cia muito infla­ma­da com grandes vasos san­guí­neos e aparenta­va dores de cabeça gran­u­ladas; digestão per­tur­ba­da; dores nas costas; exci­tação sex­u­al; sono per­tur­ba­do. Aqui está um sin­toma pecu­liar que não é raro encon­trar nos dis­pép­ti­cos: “Às 3 da tarde, comi um jan­tar sim­ples e, às 7, bebi um pouco de leite; às 12 (meia-noite), depois de alguns min­u­tos de sono, acordei com um dese­jo apres­sa­do de defe­car, e fiquei alivi­a­do ao expelir uma grande quan­ti­dade de gas­es. Depois de muito esforço, pas­saram fezes grandes, lon­gas e tenazes.” Para os doentes que são acor­da­dos durante a noite pela neces­si­dade de expelir gas­es, Hom. deve ser o remé­dio. As dores eram agu­das e repenti­nas, obrigando‑o a sen­tar-se.

    Uma sen­sação curiosa foi: “Sen­tia-me como se não me pudesse mex­er; ao mex­er-me não sen­tia dor; sen­tia-me mel­hor ao mex­er-me.” Com base nes­ta indi­cação, entre out­ras, Cush­ing curou um caso com Hom. 4x. A paciente tin­ha dor de cabeça, dor de gar­gan­ta, per­da de apetite e, quan­do acor­dou de man­hã, sen­tiu-se como se não se pudesse mex­er. Ao rece­ber Hom. Hou­ve uma ráp­i­da restau­ração do apetite, tan­to para comi­da como para tra­bal­ho, e per­da da dor de cabeça e da dor de gar­gan­ta.

    Out­ro caso cura­do tin­ha os seguintes sin­tomas: “Sem apetite; angús­tia no estô­ma­go; sono agi­ta­do; muito cansa­do pela man­hã.” Um caso de “crises bil­iosas” fre­quentes tam­bém foi cura­do num homem que tin­ha toma­do Nux (Nux‑v) e Dioscorea (Dios) ape­nas com alívio tem­porário. Os sin­tomas geral­mente são agrava­dos depois de dormir; de man­hã, ao acor­dar; à noite; ao res­pi­rar fun­do; ao beber leite, mel­ho­ra.

    Do movi­men­to; da pas­sagem do ven­to; depois de com­er; da inalação de ar frio. L. H. Hal­lock rela­ta (Med. Adv., XXII. 311) uma exper­iên­cia pes­soal. Uma hora depois de com­er uma peque­na quan­ti­dade de sal­a­da de lagos­ta, começou um pruri­do ger­al, pior nas extrem­i­dades infe­ri­ores, espe­cial­mente nas pan­tur­ril­has. A comichão era de um carác­ter mor­daz e ardente, não se sen­tia ao esfre­gar ou coçar, quase insu­portáv­el. Dura­va duas horas, ape­sar dos ban­hos com água quente e fria, doce e sal­ga­da. Assim que a comichão diminuiu, os lábios, o nar­iz e os olhos começaram a inchar, até os olhos ficarem fecha­dos e os lábios quase com­ple­ta­mente inver­tidos. Gar­gan­ta incha­da e ede­matosa, de tal for­ma que era quase impos­sív­el res­pi­rar; sali­vação abun­dante. Oito horas após a refeição, tin­ha a aparên­cia de um deboche grave e pro­lon­ga­do. Em vinte e qua­tro horas esta­va tão bem como sem­pre. Uma vez, pos­te­ri­or­mente, teve uma exper­iên­cia semel­hante depois de com­er lagos­ta.

    Causa:

    Leite, efeitos de.

    Mente:

    Sen­ti­men­to de medo. — Abor­reci­do. — Ner­voso mas com medo de se mex­er.

    Cabeça:

    Dor de cabeça, de man­hã; agu­da às vezes, prin­ci­pal­mente na região tem­po­ral, agra­va à esquer­da — Ton­tu­ra. — Dor frontal; logo aci­ma dos olhos, às vezes pior na região tem­po­ral esquer­da; de sobre os olhos até o occip­i­tal, agra­va o lado esquer­do; agu­da, sobre o olho esquer­do, tin­ha que franzir a tes­ta e esfre­gar as partes. — Dor: agu­da, nas têm­po­ras (dire­i­ta); na têm­po­ra esquer­da, e no occip­i­tal; na parte frontal da têm­po­ra esquer­da.

    Olhos:

    Dores nos olhos. — Dor no olho dire­ito e aci­ma do ângu­lo esquer­do do olho dire­ito — Dor no olho esquer­do com dor ao toque. — Dores do lado esquer­do do olho dire­ito até ao occip­i­tal — Dores no olho esquer­do ao lev­an­tar-se, mais tarde no dire­ito, como se algo tivesse sido sopra­do no olho subita­mente. — Dor nos olhos. — Dor dolorosa no globo ocu­lar esquer­do, pouco afe­ta­da pela luz. — Pálpe­bras coladas de man­hã. — Ede­ma das pálpe­bras. — Lacrimação pro­fusa.

    Ouvi­dos:

    Pon­tadas fre­quentes no lóbu­lo infe­ri­or da orel­ha esquer­da, ten­do de o belis­car.

    Nar­iz:

    Ardên­cia nas vias nasais. — Ardor nas vias nasais que se estende à gar­gan­ta depois de se lev­an­tar. — Sen­sação de muco na nar­i­na esquer­da. — Nar­iz para­do de man­hã. — Descar­ga do nar­iz; aqu­osa, da nar­i­na esquer­da. — Espir­ra­va com fre­quên­cia.

    Boca:

    Sali­vação abun­dante.

    Gar­gan­ta:

    Dor per­to do ouvi­do esquer­do; agu­da, súbi­ta, tran­sitória, no lado esquer­do da gar­gan­ta, esten­den­do-se oca­sion­al­mente ao ouvi­do. — Dor e ver­mel­hidão da gar­gan­ta; agra­va o lado dire­ito; a parte de trás parece cober­ta de muco duro, acu­mu­lação con­stante de muco nas fauces; no dia seguinte, a gar­gan­ta está dori­da e a arder, parece mosquea­da, os vasos apare­cem clara­mente, muco pega­joso na boca e na gar­gan­ta, dor de gar­gan­ta, agra­va o lado esquer­do. — Gar­gan­ta seca e dori­da ao acor­dar; aspeto gran­u­la­do, expetoração sal­ga­da. Irri­tação; do lado esquer­do. — Sen­sação dolorosa e crua; ardor, fauces pos­te­ri­ores cinzen­tas e cober­tas com mem­brana ou muco duro, os vasos mostram-se clara­mente onde não há muco ou aparên­cia de depósi­to. — Dor: agra­va do lado esquer­do, menos na dire­i­ta do que nas partes pos­te­ri­ores; mel­ho­ra com o ar frio. — Dor e incli­nação para tossir, mel­ho­ra abrindo bem a boca e ina­lan­do ar muito frio. — Dor no lado esquer­do da gar­gan­ta, ouvi­do e pescoço, parece ser mais nos mús­cu­los do que na mem­brana mucosa, mel­ho­ra segu­ran­do o lado da cabeça com a mão. — Formiga­men­to; e incli­nação para tossir, muco bran­co lev­an­ta­do. — Ardor na gar­gan­ta, lado dire­ito, e no esófa­go, estô­ma­go e intesti­nos; — Ede­ma da gar­gan­ta tão grande que ele mal podia res­pi­rar.

    Estô­ma­go:

    Arro­to de ven­to insípi­do pela man­hã. — Dor durante toda a man­hã, com afronta­men­tos oca­sion­ais. — Dor agu­da após um pequeno-almoço ligeiro. — Dor no estô­ma­go; ao acor­dar durante a noite, mel­ho­ra de man­hã, regres­sa ao fim da tarde; antes e depois de um pequeno-almoço ligeiro; depois de um jan­tar sim­ples, segui­do de um pouco de gela­do; até às costas, agra­va per­to da col­u­na, várias vezes durante o dia; à vol­ta do cor­po na região epigástri­ca antes de se lev­an­tar, esten­den­do-se pelas costas até à região dos rins. — Ardor no estô­ma­go.

    Abdó­men

    Dor: no diafrag­ma; no hipocôn­drio; parte infe­ri­or do fíga­do; fíga­do e baço; no fíga­do e baço durante o dia; no fíga­do, agra­va à noite. — Dor agu­da na região do fíga­do (de man­hã); no lóbu­lo esquer­do do fíga­do; na região do fíga­do, agra­va ao inspi­rar longa­mente; sob as extrem­i­dades das coste­las flu­tu­antes esquer­das depois de se deitar, pare­cia ser no baço.

    Fezes e anús:

    Incli­nação tran­sitória e fre­quente para as fezes durante o dia. — Diar­reia e obsti­pação alter­nadas, mudan­do a cada três ou qua­tro dias. — Depois de alguns min­u­tos de sono, acor­da com um dese­jo apres­sa­do de defe­car, mel­ho­ran­do com a pas­sagem de uma grande quan­ti­dade de gas­es. — Depois de muito esforço, fezes grandes, lon­gas e tenazes (durante a noite).

    Órgãos sex­u­ais mas­culi­nos:

    Exci­tação pro­lon­ga­da todas as man­hãs; e à noite.

    Órgãos res­pi­ratórios e peito:

    Difi­cul­dade em res­pi­rar depois de se deitar. — Dor agu­da na parte pos­te­ri­or do pul­mão esquer­do. — Dor: através do tórax; nos lados, no pul­mão dire­ito; através do cen­tro do pul­mão dire­ito. — Dor no cen­tro do pul­mão esquer­do depois de se deitar, e à vol­ta do cor­po no diafrag­ma; no cen­tro do pul­mão dire­ito e até à omo­pla­ta. — Dor ardente à dire­i­ta da extrem­i­dade infe­ri­or do ester­no; em ambos os lados com res­pi­ração difí­cil. — Inten­so ede­ma da gar­gan­ta que tor­na a res­pi­ração quase impos­sív­el.

    Pul­so:

    Pul­so cheio, a rolar.

    Costas:

    Dor: logo abaixo do diafrag­ma; no cen­tro da escápu­la dire­i­ta pela man­hã; den­tro da escápu­la, agra­va a dire­i­ta — Dor agu­da no proces­so espin­hoso supe­ri­or do ílio esquer­do. — Dor agu­da, tran­sitória, súbi­ta, no lado dire­ito per­to do rim, forçando‑o a sen­tar-se.

    Mem­bros supe­ri­ores:

    Dores: nos braços e nas per­nas; no braço esquer­do à tarde; logo aci­ma dos cotove­los, agra­va o dire­ito — A dor logo aci­ma do cotovelo dire­ito pare­cia estar no osso, no ante­braço esquer­do e no pul­so. — Dor no pul­so esquer­do à tarde.

    Mem­bros infe­ri­ores:

    Dor na coxa e na per­na dire­i­ta — Dor: nas per­nas agu­da aci­ma dos joel­hos; nos ossos da per­na esquer­da depois de deitar; nos joel­hos; no tornoze­lo esquer­do; nos pés, com ardor. — Dor no joel­ho dire­ito — Joel­hos fra­cos; agra­va à dire­i­ta; agra­va à tarde. — Joel­hos fra­cos e tré­mu­los. — O pé esquer­do cox­eia por vezes nas artic­u­lações metatar­so-falâng­i­cas.

    Gen­er­al­i­dades:

    Dor algures durante todo o dia; nos olhos e em várias partes do cor­po e mem­bros depois de me deitar. — Sen­sação estran­ha em todo o cor­po, não esta­va ton­ta, mas ao ten­tar agar­rar a maçane­ta da por­ta não o con­seguia faz­er facil­mente, mas pun­ha a mão à vol­ta dela e tin­ha medo. — Sen­tia-me doente, inca­paz de me mex­er, com a mel­ho­ra a mover-se. — Sen­sação de tédio. — Sen­sação de ner­vo­sis­mo; mas medo de se mex­er. — Inqui­etação. — Fraque­za; cam­in­har agr­va. — Mel­ho­ra Depois de com­er; depois do jan­tar

    Pele:

    Espin­ha dolori­da na coxa esquer­da, do lado de fora. — Pruri­do: em várias partes fre­quente­mente dia e noite; de várias partes antes e depois de se deitar, mel­ho­ra coçan­do, mas apare­cen­do em out­ro lugar. — Coceira repenti­na, agra­va noite, agra­va nos mem­bros; fre­qüente e repenti­na, em várias partes, agra­va per­nas. — Pruri­do ger­al mais nos mem­bros infe­ri­ores, espe­cial­mente pan­tur­ril­has, queiman­do, mor­den­do, coçan­do, não mel­ho­ra por esfre­gar ou coçar, durou duas horas ape­sar de ban­hos quentes e frios; segui­do ime­di­ata­mente em sua diminuição com œde­ma de lábios e gar­gan­ta.

    Sono:

    Dormiu numa cadeira (invul­gar) depois do jan­tar. — Inqui­eto durante a noite. — Sono­len­to depois de se deitar, de tal for­ma que os olhos doíam, mas não con­seguia dormir durante muito tem­po. — Acordei à meia-noite, depois de alguns min­u­tos de sono, com von­tade apres­sa­da de defe­car, mel­ho­ra pas­san­do muito ven­to, e depois de muito esforço defe­cou um fezes grandes, lon­gas e tenazes. — Todas as noites adormeço ao deitar-me, e em cin­co ou dez min­u­tos acor­do e fico acor­da­do uma ou duas horas. — Acor­dar de man­hã, mas mais tarde, durante a noite, era tan­to na primeira como na últi­ma parte da noite. — Acor­dou cedo e não con­seguiu adorme­cer dev­i­do a dores por todo o lado, agra­va. região epigástri­ca, costas, braços e per­nas, per­nas coxas e dolorosas como dev­i­do a exer­cí­cio inten­so e frio, esper­a­va ficar muito coxa ao lev­an­tar-se, mas sen­tia-se bem.

    Acordei duas horas mais cedo do que o habit­u­al, com uma dor de cabeça fra­ca, ardor em todo o peito, pare­cen­do estar na pleu­ra, dores nos pul­mões até à omo­pla­ta, dores na parte de trás do ombro, na parte de fora da parte supe­ri­or da omo­pla­ta, dores no hipocôn­drio, que se esten­di­am pelas costas, dor ardente nas per­nas e nos pés, sobre­tu­do abaixo dos joel­hos, de tal modo que não con­seguia adorme­cer, os pés estavam tão quentes que tive de os pôr fora da cama, depois a dor esten­deu-se às coxas, a dor era tão forte que me sen­tia como se tremesse toda, mas acho que não; Sen­tia-me como se não me pudesse mex­er, mas ao mex­er-me não tin­ha dores e sen­tia-me mel­hor ao mex­er-me, não con­seguia dormir out­ra vez.

    Febre:

    Calafrios por todo o lado, de tal for­ma que trem­ia. — Pés frios; e húmi­dos; depois a arder.


tradutor
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